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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Uma só carne, duas vidas.


É necessário descontruir mitos pra alcançar o êxito e alegria reais num relacionamento; não preciso ficar repetindo pedantemente: “Oh, como a minha vida é uma extensão da lua de mel!”, primeiro porque é falácia, segundo porque maravilhoso pra mim é chegar em casa, e mesmo cansado conversar sobre tudo com a mulher que amo, achando graça até da pia “a la Elê”.
Passar a vida falando de alegrias passadas é um crime contra a evolução dos sentimentos, é perder preciosa oportunidade de construir algo novo, cotidianamente. É imaturo perseguir um relacionamento perfeito; agora nós somos imperfeitos em dobro.
O amparo e o acolhimento diário de Deus é que nos faz continuar (como diz pastor Cacaio, estamos “casados em Deus”), sua intervenção no meu e no coração da Elenice; conseguir discordar sem afrontar, um gesto continuado de generosidade no trato.
A reciprocidade da assertividade aliada a um pensamento dócil e caráter adulto; uma liberdade de raciocínio e expressão casada com um ardente desejo de sentir prazer na mais banal das conversas.
Tem sempre um monte de coisas que gostaríamos de dizer às pessoas que amamos, mas nunca dizemos; sobram coisas a dizer, falta é o jeito, o tato e ocasião adequada. Não criamos ocasiões e elas não caem do teto.
Recém-casados se arriscam muito quando não levam pra dentro de casa a experiência auferida no namoro e noivado; o péssimo hábito de acreditar que ser “uma só carne” é mais ou menos como um “upgrade”, pra iniciar um programa novo tem que apagar o anterior e todos os seus arquivos, formatar.
Entrar numa corrida de tanque quase seco; o problema do “upgrade” é que volta e meia preciso fuçar oHD atrás do “back-up” pra descobrir como isso ou aquilo funcionava antes da “configuração”.
Quando me vejo numa situação difícil no casamento (nada alarmante, calma, não precisa ligar pras nossas mães) procuro lembrar como reagia antes da “configuração do sim” frente a assuntos agora comuns a nós.  Percebo que nossas experiências somadas nos fornecem subsídios pra decisões e reações adultas.
Eu devo continuar implicando com o tubo de creme dental apertado no meio, e aberto (irch!), ela vai continuar discursando sobre perseverança todas as vezes que descobrir outro livro que li pela metade e larguei na cozinha ou um trabalho de seminário protelado.
Ela ainda vai segurar muitas explosões de humor quando eu me esquecer do quanto é importante dar importância às coisas importantes (pra ela), da mesma forma que eu não vou me deprimir toda vez que ela não der a mínima pro artigo novo do Robinson Cavalcanti que eu julgo de leitura imprescindível. Rsrs!
Desarmados e cientes, desta forma vamos caminhar; implicando menos e relevando mais.
Não vamos nos anular, uma carga de experiências e expectativas é a nossa caixa de ferramentas pra construir nosso casamento todos os dias, perto ou distante, com bons ou maus dias, em paz ou atribulados, construir o relacionamento diário tendo Deus como arquiteto, apaziguador e guia.
As coisas que nos mantém atentos um ao outro e unidos, são maioria; nossas diferenças nos preparam, novas etapas nos aproximam, sem crise.
Aprendemos nos livros e com outros casais, mas o enredo de nosso casamento deve ser de nossa autoria. Todas as alegrias e riscos são de nossa inteira competência e responsabilidade.
A propósito, ela pode não saber muito de culinária, mas faz o melhor suco de carambola desse lado do país.
Feliz casamento pra vocês também.
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quinta-feira, 31 de março de 2011

Jesus, Esperança Nossa!


 “... estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” 1 Pedro 3: 15 – ARA – 2ª edição
As questões que povoam a vida da Igreja tem, invariavelmente, recebido tratamento raso e nenhum cuidado; respostas prontas exaustivamente repetidas, e do outro lado do púlpito ouvidos cansados e ansiosos por palavras que façam algum sentido e satisfaça-lhes a fome de concretude e profundidade.
Vivemos, nós a Igreja, de esperança, a esperança viva e nova que emana da obra e vida de Jesus, o Cristo de Deus; Ele próprio a razão da nossa fé, se quisermos uma resposta absoluta e sem rodeios.
A minha vivência produz respostas satisfatórias a respeito da esperança estampada na minha rotina? A minha alegria é irrepreensível? Meu júbilo é franco? Atraente é a esperança em mim? Repetimos respostas e reeditamos fórmulas neopentecostais de duvidosa aparência e duvidosa eficácia; a Igreja se perde em devaneios tolos de crescimento e desaponta rebanhos inteiros.
A Igreja sequer olha pra trás, pra se perguntar sobre o que restou de verdadeiro no seu discurso; pergunto-me se na minha diária pregação ainda há elementos coerentes com as palavras do Cristo.
Sobre o que falamos mesmo?
Há uma desqualificação na mensagem e nas obras da Igreja, que perde a autoridade na mesma proporção em que perde a vitalidade da esperança.
Outra pergunta: A nossa pregação responde responsavelmente às angustiadas necessidades das pessoas que ainda nos ouvem? Quando indagados acerca da razão da fé anunciada, o que temos de substancial pra dizer?
Nossas fórmulas copiadas às pressas dos manuais neo-gospel até fazem certo sucesso nas noites de domingo, pra logo na segunda sentirmos fome; esquecemos a pregação do Evangelho que cura, liberta, conforta e salva do inferno e fazemos sinais de fumaça. Empolgamos sem, no entanto responder; dissimulamos com aparência de santidade.
Que ninguém duvide das nossas intenções, ninguém diga que não estamos nos esforçando, pois estamos e muito; gastamos tempo, recursos e energia estudando, planejando formas de suprir o alimento e a segurança do rebanho; mas é patente o nosso cotidiano fracasso. Andamos às cegas, à míngua.
Ouço e leio críticas à igreja em qualquer lugar, contundentes e ferozes às vezes; e ainda que tais críticas careçam de profundidade de conhecimento, é um questionamento que a própria Igreja deveria começar.
Qual a nossa relevância e contundência? Questionar a Igreja é prerrogativa da Igreja; cabe ao homem cristão e à mulher cristã contestar o modelo de santidade vendido por aí. Nem de muito perto é perceptível nosso processo de similaridade com o  varão perfeito.
O que há de real consolidado do testemunho da graça no meu cotidiano e, por conseguinte na vida da Igreja?
É imaturo crer ser minha intenção responder sozinho ou em nome da Igreja; há em mim uma diária peleja à procura das pessoas de Deus no meio do povo de Deus e caminhar, perto e ao lado.
Sem furtar-nos de anunciar em todo lugar e tempo a mensagem da cruz, é urgente olharmos pra dentro, vasculhar nosso vocabulário e descobrir as nossas estéreis e vãs repetições, avaliá-las coma ajuda do Espírito Santo pra reformular as respostas, eliminar parte do arsenal e sua inutilidade.
Um rebanho desnutrido não sobreviverá aos mais rudimentares questionamentos ateus e existencialistas, a crítica é revitalizada pela pequenez das nossas respostas.
Qual a razão da nossa esperança? Ainda esperamos? Precisamos ser francos e assumir que respostas honestas e satisfatórias foram esquecidas; sobraram frases prontas aprendidas nas campanhas e palavras de ordem repetidas por gente que não tem o que falar.
As pessoas continuarão procurando no ajuntamento dos crentes por respostas e por refrigério, e encontrarão quando voltarmos o nosso olhar pra elas, e olharmos com a mesma compaixão e interesse que identificavam Jesus.
Teremos como explicar a fé quando refletirmos a partir das afirmativas herdadas pela Igreja quando esta era a mais perfeita tradução do esplendor do noivo, Jesus, Esperança Nossa.