quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A morte de Deus e a morte de Cristo


 

Olá Dr. Craig,

Eu gostaria primeiramente de agradecê-lo pelo tempo e trabalho que você dispensa ao seu ministério. Tem me beneficiado grandemente e foi o seu exemplo que me fez estudar e conseguir uma graduação em filosofia.

Sobre a minha questão, eu nunca consegui uma resposta clara a ela. Quando Jesus morreu na cruz, Deus morreu? Se sim, a essência de Jesus verdadeiramente morreu?

Esta questão realmente me incomodou enquanto eu estava escutando a música "And Can it Be?" [E pode ser?]. Tem uma parte nela, no fim do coro, que diz "Amazing Love! How can it be that Thou my God shoudst die for me? Amen!" [Grande amor! Como pode ser, Tu, meu Deus, morrer por mim? Amém!].

Eu nunca consegui uma resposta clara e concisa para esta questão e parecem existir diferentes opiniões entre os teólogos sobre a natureza desta questão. O pastor John MacArthur parece acreditar que Deus morreu, uma vez que Jesus é Deus. Já R. C. Sproul discorda e acredita que Deus não pode morrer.

Eu não consigo entender como pode ser possível que Deus pudesse verdadeiramente morrer. Por que se Deus pudesse, Ele não seria um Ser metafisicamente necessário. Mas isto é impossível porque, por definição, Deus deve ser necessário. Assim, quando Cristo morreu na cruz, foi apenas sua parte humana que morreu?

Esta é uma questão difícil, e eu apreciaria muito se você pudesse lançar alguma luz sobre ela.

Muito obrigado,

Jesse


 

Resposta do Dr. Craig:

Não pude resistir à sua questão, Jesse, uma vez que ela apela ao meu hino favorito, o magnífico"And Can it Be?", de Charles Wesley. Eu desafio qualquer cristão que conheça apenas músicas de louvor e a adoração a ouvir este hino e contemplar sua maravilhosa letra sobre o incrível amor de Deus.

Sua questão é uma das que confunde nossos amigos mulçumanos e é, portanto, muito urgente. Felizmente, a Igreja cristã histórica já discutiu esta questão de forma clara.

O Concílio de Calcedônia (451) declarou que o Cristo encarnado era uma pessoa com duas naturezas, uma humana e outra divina. Isto gerou conseqüências muito importantes. Isto implica que, uma vez que Cristo exista antes de sua encarnação, ele era um ser divino antes de falarmos sobre sua humanidade. Ele foi e é a segunda pessoa da Trindade. Na encarnação, esta pessoa divina assume uma natureza humana também, mas não há outra pessoa em Cristo além da segunda pessoa da Trindade. Existe um acréscimo de natureza humana que o Cristo pré-encarnado não tinha, mas não há acréscimo algum de uma pessoa humana à pessoa divina. Existe apenas uma pessoa, com duas naturezas.

Portanto, o que Cristo disse e fez, Deus disse e fez, uma vez que quando falamos de Deus, estamos falando sobre uma pessoa. Esta é a razão do Concílio falar de Maria como "a mãe de Deus". Ela carregou no ventre uma pessoa divina. Infelizmente, esta linguagem tem sido desastrosamente interpretada, porque soa como se Maria tivesse dado a luz à natureza divina de Cristo quando de fato ela deu a luz à natureza humana dele. Maomé aparentemente ensinou que os cristãos acreditavam que Maria era a terceira pessoa da Trindade, e Jesus era o descendente da relação entre Deus Pai e Maria, uma visão que ele corretamente rejeitou como blasfema, não obstante nenhum cristão ortodoxo a abraçasse.

Para evitar tais desentendimentos, é proveitoso falar do que ou como Cristo fez em relação a uma das suas naturezas. Por exemplo, Cristo é onipotente em relação a sua natureza divina, mas é limitado em poder em relação a sua natureza humana. Ele é onisciente em relação a sua natureza divina, mas ignorante sobre vários fatos em relação a sua natureza humana. Ele é imortal quando nos referimos a sua natureza divina, mas mortal quando nos referimos a sua natureza humana.

Você provavelmente já consegue entender agora aonde eu quero chegar. Cristo não poderia morrer em relação a sua natureza divina, mas ele poderia morrer em relação a sua natureza humana. O que é a morte humana? É a separação da alma do corpo quando o corpo cessa de ser um organismo vivo. A alma sobrevive ao corpo e se unirá com ele novamente algum dia em forma ressurreta. Foi isto que aconteceu com Cristo. Sua alma se separou do seu corpo e seu corpo cessou de viver. Por alguns instantes ele desencarnou. No terceiro dia Deus o ressuscitou dos mortos em um corpo transformado.

Em parte, sim, nós podemos dizer que Deus morreu na cruz porque a pessoa que submeteram à morte era uma pessoa divina. Então Wesley estava totalmente correto em perguntar "Como pode ser, Tu, meu Deus, morrer por mim?". Mas dizer que Deus morreu na cruz é conduzir erradamente a questão, da mesma forma como fazem quando dizem que Maria era a mãe de Deus. Assim eu acho melhor dizer que Cristo morreu na cruz em relação a sua natureza humana, mas não em relação a sua natureza divina.

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Tradução: Eliel Vieira

Fonte: On Guard

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

[John Wesley e o Espírito Santo


 


 


 

________________________________________ Duncan Alexander Reily


 


 

Norman Lawrence Kellett, na sua tese de doutoramento argumenta que a Doutrina do Espírito Santo tinha quase desaparecido na Inglaterra, devido ao deísmo tão difundido entre teólogos da Igreja da Inglaterra e do socinianismo e moralismo entre os puritanos ("dissidentes"). Concordo com a tese de Kellett; ao restaurar a doutrina do Espírito Santo, Wesley contribuiu também para um saudável equilíbrio na fé e na prática do cristianismo na Inglaterra e, através do movimento metodista, ao protestantismo em geral.


 

No entanto, o propósito do presente ensaio não será a defesa da tese de Kellett e, sim, uma análise da doutrina do Espírito no pensamento e na prática de Wesley. Trataremos principalmente da doutrina da Trindade, da doutrina da redenção e da vida no Espírito e, por fim, consideraremos um complexo de questões que agruparemos sob a indagação "Era Wesley um 'entusiasta'?"


 

O Espírito Santo e a Trindade


 

Wesley manifestava pouco interesse em uma teologia meramente especulativa; por isso, apesar de aceitar a doutrina da Trindade como verdadeira e em harmonia com a revelação, ele se recusou a tentar explicar como era possível o único Deus ser também três. Defendia, porém a formulação oficial nos Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra, elaborados durante o reinado da Rainha Isabel (ou Elizabeth I). Veremos logo abaixo sua adaptação dos Trinta e Nove Artigos, por ocasião da criação da Igreja Metodista Episcopal, em 1784. O que, na verdade, realmente mereceu a atenção de Wesley era a efetivação da plena salvação humana através da ação conjunta de um Deus triuno e a essencial harmonia de todas as pessoas divinas que perfaziam a plenitude da trindade.


 

Na sua célebre "Carta a um Católico Romano", escrita em 118 de julho de 1749(Letters, III, 7-14), Wesley demonstra o quanto se assemelham as doutrinas protestantes e católicas, a partir da sua crença em Deus como Pai, Filho e Espírito Santo. Na referida carta, ele define Deus como ser "infinito e independente", "pai de todas as coisas", sendo "de maneira especial o Pai daqueles que Ele regenera pelo seu Espírito, os quais Ele adota no seu Filho, como co-herdeiros com Ele...". Portanto, a redenção e obra do Deus trino, a regeneração sendo uma função do Espírito. Encontramos na mesma carta outro exemplo da co-participação das três pessoas divinas, esta vez na obra da revelação: O salvador, Jesus de Nazaré, "sendo ungido pelo Espírito Santo, foi profeta, revelando-nos a vontade plena de Deus". Novamente temos, então, uma Trindade "funcional", sendo a tarefa particular do Espírito Santo a de ungir o Filho como profeta de Deus Pai (e bem assim, dos seus ofícios como Sacerdote e Rei).


 

Wesley continua com a descrição, não mais com a pessoa do Espírito (a qual enfaticamente afirma), mas com função deste. Estas funções, no entanto, serão tratadas mais adiante, na parte sobre a vida do Espírito. Wesley não chegou a elaborar urna confissão de fé original; mas, quando da constituição do metodismo norte-americano


 

(FALTA UMA FRASE AQUI)


 

Pessoas da mesma substância, poder e eternidade - Pai, Filho e Espírito Santo." O 4° Artigo declara: "O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, "e da mesma substancia, majestade e gloria com o Pai e com o Filho, verdadeiro e eterno Deus."

 
 

O 4° Artigo contrário ao Credo Niceno na sua forma original e contra a postura da Igreja Ortodoxa afirma que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. John Wesley não ignorava a história do acréscimo das palavras "e do Filho" (filioque, em Latim), o qual havia resultado na ruptura do Cristianismo em duas Igrejas distintas, a Católica Romana e a Ortodoxa (1054). Wesley a inovação, a qual tinha a intenção de enfatizar a igualdade entre Pai e Filho. Comentando João 15.26, ele escreveu: "Que ele procede do Filho, bem como do Pai, pode ser corretamente argentado por ele ser chamado o Espírito de Cristo -I Pe 1.11; e do fato de ser declarado aqui dele que fora enviado por Cristo [da parte] Pai, e também pelo Pai em meu nome".(Notes, loc. cit.)

 
 

Pelo exposto, fica evidente Que Wesley não a aceitava a doutrina da Trindade impensadamente. Ele percebeu na formulação tradicional da Trindade uma clara expressão da harmonia entre as operações do Espírito Santo e as do Pai e do Filho.


 

Por exemplo, devemos notar a íntima relação entre o Espírito Santo e Jesus de Nazaré. Os Evangelistas afirmam que Maria "achou-se grávida pelo Espírito Santo" (Mt 1.18; cp. Lc 1.35). Foi o Espírito que ungiu Jesus por ocasião do seu batismo, enquanto Deus dizia "Tu és meu Filho amado, em ti me comprazo" (Mc 2.1; cp. Mt 3.16,17 e Lc 3.21,22). Wesley comenta o acontecido: "Este foi um sinal visível daquelas operações secretas do abençoado Espírito, porque ele foi ungido de uma maneira peculiar; e abundantemente preparado para sua obra pública (cp. Lc 4.18 e o comentário de Wesley nas Notes). Assim Jesus (o Filho) foi constituído profeta pela ação do Espírito Santo, para declarar a vontade de Deus Pai, sendo o verbo a própria "Palavra" do Pai.


 

A função do Espírito Santo na inspiração é tema freqüentemente mencionado nos hinos de Carlos Wesley.


 

Nessa harmonia de intenção e de ação, não seria possível que a trombeta desse sonido confuso (cp. 1Co 14.8); quaisquer novas revelações teriam necessariamente de estar em harmonia com a "Lei e o Testemunho" (cp. Is 8.19,20; Wesley usava a frase com freqüência). Qualquer discrepância entre uma nova palavra, profecia ou revelação e as Sagradas Escrituras teria que ser considerada inautêntica, pois a concordância entre as três pessoas divinas da Trindade evitaria qualquer contradição.


 

A importância desse fato para Wesley é ilustrada por um significativo diálogo que ele manteve com um Quaker, ou seja, membro de uma corporação religiosa que muito prezava a direção da "luz interna" em tudo. O Quaker havia, outrora, assistido à pregação de Wesley, mas não o fazia mais. Deu como a razão que Wesley não era conduzido pelo Espírito Santo, pois marcava com antecedência o lugar e horário das suas pregações, sem esperar imóvel aguardando uma ordem do Espírito para pregar em um ou outro lugar. Wesley perguntou ao homem se o cristão não deveria fazer o que Deus manda nas Escrituras (isto é, pregar a palavra a tempo e fora de tempo - cp. 2Tm 4.2) e se as conversões que efetivamente ocorriam não seriam suficiente confirmação de que ele estivesse agindo em harmonia com a vontade do Deus triúno. O Quaker não concordou; para ele, Wesley devia esperar que o Espírito o movesse a pregar; de outra forma o metodista estaria valorizando "a letra que mata" mais que a instrução do Espírito. Assim Wesley escreveu no seu Journal no dia 6 de julho de 1739, "Deus queira que eu sempre preze [Sua palavra] todos os dias da minha vida." Não é que Wesley descria em direção direta do Espírito, mas ele tinha a certeza de que tal direção ou instrução nunca poderia contrariar a clara revelação de Deus; de outra forma, Deus, o Espírito, estaria em conflito com Deus, o Pai, uma situação inconcebível para uma pessoa que se considerava HOMO UNI US LIBRI.


 

Outra ocasião em que o mesmo tipo de questão estava em jogo talvez deva ser narrada aqui. No dia 31 de agosto de 1784, o octogenário João Wesley escreveu uma carta de consolo e conselho a Ann Bolton. Na carta, Wesley narrou um acontecimento antigo que houve na sua família. Wesley Hall namorava Kezia, a filha mais jovem da família Wesley. Hall falou a Kezia que Deus a havia escolhido para ser sua esposa; Kezia orou e se convenceu que Deus realmente os havia feito um para o outro. Mas, depois de uma semana, Hall largou a Kezia, namorou Marta ("Patty"), e se casou com ela, deixando Kezia desolada e perplexa. Assim João Wesley, aproveitando a narrativa para tal, aconselhou Ann Bolton (a qual aparentemente passava por crise semelhante) que nunca se devia confiar demais nas orações em semelhantes situações e, sim, só na "palavra de Deus escrita", (Letter, VII, 233).

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Fonte : Rede Metodista


 


 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pra não dizer que não falei do natal


 

Há coisas que aparentemente nunca mudam, são como uma paisagem de carrossel, na qual pessoas e objetos saem do campo de visão por instantes, mas basta um giro completo do eixo do brinquedo e lá estão, objetos e pessoas; pouco ou nada muda de lugar.

Muitos crentes são assim, muitos mendigos são também.

Já precisou de uma vaga pra atender alguém em um albergue no período do natal? Quis ajudar um morador de rua internando-o na Missão Vida ou alguma outra instituição que cuida e trabalha pela recuperação de mendigos no final de ano? Esqueça, não há vagas.

Ninguém quer ficar sozinho durante o natal, nem no último dia do ano, nem no primeiro. Em sã consciência não há quem queira estar sob uma marquise ou viaduto nestes tempos, nem preso.

Somos assim, por traços culturais e por uma íntima necessidade de agregação, de tempos em tempos nos aglutinamos; posso falar sobe isso, conseguia passar quase todo o tempo alheio à maioria dos fatos que uniam as pessoas, embora me unisse a muitas pessoas de igual sina em mentirosos sinais de solidariedade entre viciados; disfarçar a solidão e a derrota diárias.

Porém, quando chegava o natal a angústia vinha acompanhada por uma estranha vontade de sair, ver a decoração da Praça da Liberdade, passar em frente às igrejas; claro que "esnobava" tudo aquilo, mas por dentro, só Deus!

Depois "passei pra lei dos crentes" (rs) e muitos natais tornaram a minha vida infinitamente mais feliz, apaixonei-me pelas cantatas, jograis, apresentação de crianças, filmes, e pelos presépios, estes um encantamento que remonta à infância.

Amava até os intermináveis concílios na Igreja Presbiteriana em Montes Claros-MG, quando escolhíamos os presbíteros e diáconos e a liderança fazia intermináveis leituras de relatórios, saudades! (hoje sou metodista e os concílios continuam sendo a parte chata que ainda amo nesta época).

Mas como todo crente inacabado, relaxei; mesmo "trabalhando tanto pra Deus que nem comia nem dormia direito", fui deixando pra lá, perdi não sei onde nem quando a alegria pelo aniversário do Redentor e pelos outros alegres ajuntamentos do povo de Deus. Fui me transformando na igreja do "eu sozinho", um sujeito infeliz e sem tempo pra Deus, pois trabalhava demais "pra Deus".

O resto da minha particular tragédia quase todos conhecem. Ao olhar pra os centros de recuperação, albergues e igrejas durante esta época, eu percebo quanta gente se parece com aquilo que eu já fui, gente solitária, amarga e triste por incompetência social e emocional.

Sabe aquele mendigo que sumiu da sua rua outro dia? Se for esperto já conseguiu uma vaga nos albergues ou centros de recuperação, pelo menos até passar as festas. Sabe aquelas pessoas da igreja que você nunca encontra durante o ano e que nunca retornam as suas ligações e estão sempre ocupadas para uma oração? Apareça numa cantata, ceia ou concílio que escolherá a nova liderança, vai encontrá-las, estão ali, pelo menos até que possam ser sozinhos outra vez.

Ah, feliz natal..

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Natal: Resposta de Deus à terra aflita (Isaías 9:1-7)

 


 

Bispo Paulo Lockmann


1) Entre Israel e o Brasil 
Estamos chegando a mais um Natal, e chegamos em aflição, pois há guerra e rumor de guerra, no mundo (Coréias, Iraque, Irã, etc.), e no Brasil vivemos a guerra contra o narcotráfico que ocupa nossas cidades e a vida e o coração de milhares de jovens nas nossas cidades. O Rio de Janeiro há poucos dias sentiu isso de maneira alarmante, mas convive com morte e violência há anos.

Neste quadro está dito a Israel, e a nós: "... não continuará a obscuridade (a aflição)". A citação de Zebulon e Naftali se reporta às duas primeiras províncias de Israel, que foram invadidas e tomadas sob o jugo de Tiglate-Pileser, rei da Assíria (cf. 2 Re 15.29). De fato, o rei estrangeiro e seus exércitos de ocupação lançaram no exílio a maior parte do povo, criando aflição e pranto. Do mesmo modo, a ocupação das áreas pobres de favela pelo narcotráfico pôs o povo sobre jugo, e provocou um exílio e consequente despovoamento, como vimos, famílias inteiras em fuga dada a fúria do inimigo.

2) Natal e Promessa.
"Não continuará a obscuridade". O Deus que devido à quebra da aliança, "tornou desprezível a terra de Zebulon e a terra de Naftali." Nos últimos dias, tornará glorioso o caminho do mar. E como Deus fará isto? 
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo está
sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz..."(
Is 9.6)

A mensagem de Isaías tem seu centro na vinda do Messias. O nascimento de Jesus narrado pelos evangelistas se inspira nessa mensagem profética, especialmente num messias davídico. O anjo, ao comunicar a José o nascimento do Messias, o chama de José, filho de Davi, e em seguida cita Isaías: 
"... eis que a virgem conceberá e dará à luz a um filho 
e lhe chamará Emanuel."
 (Is 7.14b)

Assim, o tempo do Messias tornou-se uma visão de esperança para os aflitos. Dessa promessa do reinado do Filho de Davi, decorrem muitos outros:

a) "... Tornará glorioso o caminho do mar, Galileia dos gentios..."
Recordemos que Jesus se criou na Galileia e ali iniciou seu ministério. Galileia era constituída de terras prósperas, mas desprezada nos tempos de Jesus por conta das muitas ocupações estrangeiras. Quando, no Evangelho de João, Natanael reage acerca de ser Jesus o Messias, ele diz: 
"... de Nazaré (Galileia) pode vir coisa boa?" (Jo 1.46)

Refletindo o preconceito e a discriminação contra essa terra tida como "gentílica", mas, como aprendemos, esses galileus vão compor os discípulos de Jesus, e veem "o caminho glorioso do mar", construído por Jesus, o Messias, de acordo com a profecia de Isaías.

Qual a mensagem? Se houve esperança para a Galileia, há de ter para os lugares aflitos e assolados de nosso Rio de Janeiro. Como povo de Deus, somos convidados, na unção do Messias, a abrir tais caminhos.

b) "O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz." (Is 9.2).

Mateus usa este texto junto com o versículo primeiro ao plantar o inicio do ministério de Jesus. Ele sai do deserto e vai para a Galiléia – Cafarnaum (cf. Mt 4.13-16), onde, após dominação assíria, persa, grega, e agora romana, vivia disperso, perdido, o que causou em Jesus o seguinte sentimento:

"E, vendo a multidão, teve grande compaixão deles, porque andavam 
desgarrados e errantes como ovelhas que não têm pastor"
 (Mt 9.36).

Esse é o sentimento que deve tomar posse do nosso coração, profunda compaixão pelos que ainda andam nas trevas, anunciando que a promessa foi cumprida, a luz raiou:

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por
intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida
estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece
nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." 
(Jo 1.1-5).

E agora, há esperança para os aflitos! E nós temos compromisso com Ele, o Messias, 
"... a verdadeira luz que vinda ao mundo ilumina a todo homem." (Jo 1.9).

Somos chamados a cantar o cântico: "Grandes são as tuas obras, Senhor todo poderoso!"

Irmão, irmã, neste Natal abra sua boca, proclame bem alto que a luz raiou, e o messias chegou.

O jugo deve ser quebrado, o pecado e a morte foram vencidos por Jesus, que abriu um novo e vivo caminho, para os que nEle creem.

c) "Porque um menino nos nasceu [...] e o seu nome será..."A televisão nos mostrou muitas crianças nas áreas envolvidas dos conflitos. Não há coração que não fique preocupado com o destino, o futuro daquelas crianças. Nossas crianças, nossa juventude esta sendo destruída pela violência, pelas drogas.

Mas a mensagem já foi entregue, e a esperança tem um nome: 
" um menino nos nasceu." Seu nome será: "Maravilhoso Conselheiro,
Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz... "
 (Is 9.6).

Seus atributos têm por objetivo que:
"... venha paz sem fim, sobre o seu Reino... e estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça..."

A vinda do Messias Jesus nos adverte que é possível a paz; ela visa a alcançar os homens e mulheres de boa vontade. Assim, como consequência que é a justiça, a restauração do direito da criança e do adolescente.

Uma das nossas grandes prioridades é a criança e o adolescente, nossos projetos de reforço escolar, abrem as portas da igreja para as crianças, visando a tirá-las da rua, e dar-lhes uma oportunidade de vida, já que o tráfico recruta dentre as crianças seus "soldados". É urgente que o novo caminho inaugurado por Jesus, e celebrado no Natal, se transforme em ações permanentes, em favor dos que vivem sob a aflição e jugo da violência, para que conheçam o tempo do reinado do Príncipe da Paz, Jesus. Nada de nos acomodarmos, vamos reagir, vamos pela graça construir um novo tempo.

No amor do menino Jesus,
Bispo Paulo Lockmann