terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Natal: Resposta de Deus à terra aflita (Isaías 9:1-7)

 


 

Bispo Paulo Lockmann


1) Entre Israel e o Brasil 
Estamos chegando a mais um Natal, e chegamos em aflição, pois há guerra e rumor de guerra, no mundo (Coréias, Iraque, Irã, etc.), e no Brasil vivemos a guerra contra o narcotráfico que ocupa nossas cidades e a vida e o coração de milhares de jovens nas nossas cidades. O Rio de Janeiro há poucos dias sentiu isso de maneira alarmante, mas convive com morte e violência há anos.

Neste quadro está dito a Israel, e a nós: "... não continuará a obscuridade (a aflição)". A citação de Zebulon e Naftali se reporta às duas primeiras províncias de Israel, que foram invadidas e tomadas sob o jugo de Tiglate-Pileser, rei da Assíria (cf. 2 Re 15.29). De fato, o rei estrangeiro e seus exércitos de ocupação lançaram no exílio a maior parte do povo, criando aflição e pranto. Do mesmo modo, a ocupação das áreas pobres de favela pelo narcotráfico pôs o povo sobre jugo, e provocou um exílio e consequente despovoamento, como vimos, famílias inteiras em fuga dada a fúria do inimigo.

2) Natal e Promessa.
"Não continuará a obscuridade". O Deus que devido à quebra da aliança, "tornou desprezível a terra de Zebulon e a terra de Naftali." Nos últimos dias, tornará glorioso o caminho do mar. E como Deus fará isto? 
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo está
sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz..."(
Is 9.6)

A mensagem de Isaías tem seu centro na vinda do Messias. O nascimento de Jesus narrado pelos evangelistas se inspira nessa mensagem profética, especialmente num messias davídico. O anjo, ao comunicar a José o nascimento do Messias, o chama de José, filho de Davi, e em seguida cita Isaías: 
"... eis que a virgem conceberá e dará à luz a um filho 
e lhe chamará Emanuel."
 (Is 7.14b)

Assim, o tempo do Messias tornou-se uma visão de esperança para os aflitos. Dessa promessa do reinado do Filho de Davi, decorrem muitos outros:

a) "... Tornará glorioso o caminho do mar, Galileia dos gentios..."
Recordemos que Jesus se criou na Galileia e ali iniciou seu ministério. Galileia era constituída de terras prósperas, mas desprezada nos tempos de Jesus por conta das muitas ocupações estrangeiras. Quando, no Evangelho de João, Natanael reage acerca de ser Jesus o Messias, ele diz: 
"... de Nazaré (Galileia) pode vir coisa boa?" (Jo 1.46)

Refletindo o preconceito e a discriminação contra essa terra tida como "gentílica", mas, como aprendemos, esses galileus vão compor os discípulos de Jesus, e veem "o caminho glorioso do mar", construído por Jesus, o Messias, de acordo com a profecia de Isaías.

Qual a mensagem? Se houve esperança para a Galileia, há de ter para os lugares aflitos e assolados de nosso Rio de Janeiro. Como povo de Deus, somos convidados, na unção do Messias, a abrir tais caminhos.

b) "O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz." (Is 9.2).

Mateus usa este texto junto com o versículo primeiro ao plantar o inicio do ministério de Jesus. Ele sai do deserto e vai para a Galiléia – Cafarnaum (cf. Mt 4.13-16), onde, após dominação assíria, persa, grega, e agora romana, vivia disperso, perdido, o que causou em Jesus o seguinte sentimento:

"E, vendo a multidão, teve grande compaixão deles, porque andavam 
desgarrados e errantes como ovelhas que não têm pastor"
 (Mt 9.36).

Esse é o sentimento que deve tomar posse do nosso coração, profunda compaixão pelos que ainda andam nas trevas, anunciando que a promessa foi cumprida, a luz raiou:

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por
intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida
estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece
nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." 
(Jo 1.1-5).

E agora, há esperança para os aflitos! E nós temos compromisso com Ele, o Messias, 
"... a verdadeira luz que vinda ao mundo ilumina a todo homem." (Jo 1.9).

Somos chamados a cantar o cântico: "Grandes são as tuas obras, Senhor todo poderoso!"

Irmão, irmã, neste Natal abra sua boca, proclame bem alto que a luz raiou, e o messias chegou.

O jugo deve ser quebrado, o pecado e a morte foram vencidos por Jesus, que abriu um novo e vivo caminho, para os que nEle creem.

c) "Porque um menino nos nasceu [...] e o seu nome será..."A televisão nos mostrou muitas crianças nas áreas envolvidas dos conflitos. Não há coração que não fique preocupado com o destino, o futuro daquelas crianças. Nossas crianças, nossa juventude esta sendo destruída pela violência, pelas drogas.

Mas a mensagem já foi entregue, e a esperança tem um nome: 
" um menino nos nasceu." Seu nome será: "Maravilhoso Conselheiro,
Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz... "
 (Is 9.6).

Seus atributos têm por objetivo que:
"... venha paz sem fim, sobre o seu Reino... e estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça..."

A vinda do Messias Jesus nos adverte que é possível a paz; ela visa a alcançar os homens e mulheres de boa vontade. Assim, como consequência que é a justiça, a restauração do direito da criança e do adolescente.

Uma das nossas grandes prioridades é a criança e o adolescente, nossos projetos de reforço escolar, abrem as portas da igreja para as crianças, visando a tirá-las da rua, e dar-lhes uma oportunidade de vida, já que o tráfico recruta dentre as crianças seus "soldados". É urgente que o novo caminho inaugurado por Jesus, e celebrado no Natal, se transforme em ações permanentes, em favor dos que vivem sob a aflição e jugo da violência, para que conheçam o tempo do reinado do Príncipe da Paz, Jesus. Nada de nos acomodarmos, vamos reagir, vamos pela graça construir um novo tempo.

No amor do menino Jesus,
Bispo Paulo Lockmann

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Posterior

____________ Magno Aquino –


Me esvaziei
Da dor
De ser só,
Escapei, enfim
Saí
Culatra, tangente
Não sei,
Saí
Por uma das.
Teu rodear em mim
Polinizar,
Motivo de já não ser tão só.
Me esvaziei
De toda imensa dor
Pra repousar
Atado ao nome teu
Pois durmo
Já não só.
Pra ti cantei n’outras bocas
Pra te fazer dormir
Ao lado meu
Do outro lado seu
Aqui,
Da dor esvaziado.
Viro pro canto
Pra beijar tua boca
Demoradamente
Ao som do teu suor
À luz de vagalumes.
Me esvaziei da imensa dor
Pra receber
Tua completude em mim.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tive fome,


 

Padecemos, pois muitos males afligem-nos; nós, a Igreja, por mania gastamos energia e tempo à procura de formas de gastarmos mais energia e tempo. Fazemos muito por muitas pessoas, mas nossas ações se diluem ao invés de nos concentrarmos e atacarmos um problema por vez.

Gasto tempo burilando a mente em busca de ideias que provoquem a fé e a disposição da Igreja; sonhamos fazer as "coisas grandes" e "as ainda maiores" ao mesmo tempo. Fui chamado pra cuidar de mendigos e obedeci; mesmo que pra isso tenha desobedecido a disposição superior de cuidar de uma igreja.

Entretanto, sofro do mesmo mal que assola-nos como igreja, "síndrome de onipresença"; outro dia li algo em Ultimato e em seguida, um flagrante xilique de onipresença me afligiu entre ser voluntário no Haiti ou evangelista em Cuba; (por telefone a Elê me mandou sossegar o facho, "Uma aflição missionário-geográfica absurda! O sertão baiano ta de bom tamanho.")

Exerço da melhor forma que aprendi o meu ofício: cuidar de mendigos no programa de recuperação da Missão vida. Haiti e Cuba sobreviverão sem mim.

Neste exato momento me encontro ao lado de uma maca de hospital público exercendo o meu ofício, oro e falo do amor de Deus enquanto troco fraldas e lençóis e checo o soro de um moço que a Missão Vida "teima em acolher e cuidar", quando até a assistência social e os médicos já sumiram.

Foi nesse conflito de pensar em coisas grandes ao mesmo tempo em que faço o urgente e necessário é que comecei a matutar sobre nós, a Igreja, fundada pelo sangue e sustentada pelo Espírito de Cristo Jesus. Sem dúvidas a fé sem obras é defunta tanto quanto o contrário disso não é Cristianismo; tudo quanto fizermos para promover o bem é louvável, mas toda ação social sem ação evangelística é só serviço.

Assistência social paliativa é prerrogativa do governo, que faz isso com uma incompetência apavorante (é apavorante ver um paciente cair da maca, bater com a cabeça e ficar ferido e nu naquele chão sujo até que eu me levante pra fazer algo, enquanto gente que deveria fazer algo assiste TV na sala ao lado).

Penso em nós, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, com nosso discurso acerca das ações em favor daqueles que não são ainda, herdeiros conosco; meu pensar é o pensar de um missionário membro do povo de Deus chamado metodista, povo que nasceu proclamando o "caráter social do Evangelho"; penso nas oportunidades que perdemos diariamente ali na porta.

Distribuímos cestas básicas na minha igreja, cuidamos de gente lá e quero dizer que me alegro com isso, mas preciso pensar se fazemos isso como serviço social, somente, ou se é por respondermos amorosamente aos ensinos de Jesus.

Paulo Rogério é crente em Jesus faz só um mês, (levantou a mão na pregação sobre Bartimeu) foi acolhido por nós e me disse que nunca ninguém fez por ele o que fazemos "e gostaria de ser da nossa família". (claro que não chorei na frente dele). Está dormindo agora; alimentado, agasalhado, a fralda e o lençol estão secos, e se sente seguro, (todas as vezes que abriu os olhos encontrou um de nós ao seu lado).

O moço que caiu é morador de rua, está numa maca quebrada, o lençol e a fralda estão sujos, faz frio aqui e certamente está com fome; chegou depois do mingau das dez.

De tanto matutar angustio-me, pois olhar ao redor me leva a pensar n'Aquele Dia quando nós, a Igreja, ouviremos: "Tive fome,sede, frio, estive enfermo e preso e, vocês fizeram mais que reuniões e discursos." Ouviremos?

A Igreja nunca conseguirá cuidar de toda a gente abandonada por aí; não tiraremos todos os moradores de rua das ruas, só tiraremos aqueles que quiserem vir conosco, e só cuidaremos daqueles que aceitarem os nossos cuidados.

Muitos ouviram falar sobre a "nova vocação da igreja", vocação social! Só que, as boas obras de antemão preparadas para que nelas andemos, eu me recuso identificá-las como uma nova vocação. O Evangelho social foi "inaugurado" antes mesmo do calvário. Nas bodas de Caná, na multiplicação dos pães, na ressurreição do filho da viúva, Jesus fez mais "que sinais, milagres e prodígios", Jesus assistiu aquelas pessoas.

A nossa seminal vocação é social, somos a agência de transformação partindo das boas novas. Sal da Terra e Luz do Mundo! Creio nisso, da mesma forma que entendo que as boas obras e os atos honrosos são inerentes ao corpo de Cristo, privilégio dos santos.

Não salvaremos todo mundo da miséria, dos vícios e da condenação, mas como instrumentos, abrimos mão de muitas coisas pra trabalharmos todos os dias em favor dos que aceitarem a nossa ajuda; como crente e missionário, isso afirmo.

O funcionário que indaguei sobre uma maca com grades, lençóis e fraldas secas e alguém pra dar uma olhada na cabeça do moço que caiu, disse que "isso não é assunto meu."

De manhã durante o trajeto de volta à base da Missão Vida eu pensei assim: "Aquele sujeito ta errado, "gente desse tipo" é e sempre será assunto meu, e da Igreja, sim senhor." E você, pensa o quê?


 

Missão Vida. Porque eu amo gente!


 


 


 


 


 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Vargas Nobel Llosa

07/10/2010 08h02 - Atualizado em 07/10/2010 09h33

Prêmio Nobel de literatura de 2010 vai para Mario Vargas Llosa

Academia Sueca destacou caráter político da obra do escritor peruano.
Autor de 'Pantaleão e as visitadoras' venceu o Prêmio Cervantes em 1994.

Do G1, com agências

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O escritor Mario Vargas Llosa (Foto: AFP)

O prêmio Nobel de Literatura de 2010, divulgado nesta quinta-feira (7) às 8h (horário de Brasília), foi para o escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 74 anos.

De acordo com a Academia Sueca, a escolha seu deu por conta da "cartografia das estruturas do poder e as afiadas imagens da resistência, rebelião e derrota do indivíduo" que aparecem na obra de Llosa.

Peter Englund, presidente do júri de literatura do Nobel, afirmou que Vargas Llosa se disse "muito comovido e entusiasmado" ao saber do prêmio. O escritor, que está em Nova York, onde leciona na Universidade de Princeton, contou a Englund que "tinha levantado às cinco da manhã para dar uma aula" e que quando recebeu a notícia já "trabalhava intensamente".

Llosa receberá um prêmio no valor de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares). A cerimônia de premiação está marcada para o dia 10 de dezembro.

Autor de obras como "A cidade e os cachorros", "Pantaleão e as visitadoras", "A festa do bode" e "Travessuras da menina má", Llosa já havia vencido, entre outros, o Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994.

Em declaração à rádio colombiana RCN nesta quinta, o escritor peruano afirmou que o prêmio é um reconhecimento à literatura latino-americana e em língua espanhola.

Em mais de um século de existência do prêmio, Llosa é apenas o quinto escritor latino-americano a receber um Nobel. Antes dele, foram premiados a escritora chilena Gabriela Mistral (1945), o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1967), o também chileno Pablo Neruda (1971) e o colombiano Gabriel García Márquez (1982).

Candidato à presidência em 1990
Nascido em Arequipa, em 28 de março de 1936, Jorge Mario Pedro Vargas Llosa se formou em Letras e Direito pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima. Antes de se tornar escritor, trabalhou como redator de notícias na extinta Rádio Central, funcionário de biblioteca e até revisor de nomes de túmulos de cemitério, segundo sua biografia em seu site oficial.

Em 1959, ganha uma bolsa de estudos e parte para uma temporada na Europa - incluindo Espanha e Paris - onde publica seu primeiro livro, a coletânea de contos "Os chefes" (1959), e uma peça de teatro chamada "La huída del Inca".

Regressa em 1964 ao Peru e daí em diante passa a passar temporadas em diversos países, incluindo Cuba, Grécia, França, Londres e Espanha - de onde recebe oficialmente a cidadania em 1993.

Hoje conhecido por suas posições políticas consideradas de direita, Llosa se engajou no Movimento Liberdade peruano em 1987, que se opunha ao programa de estatização do então presidente Alan García Pérez. Em 1990, lançou-se candidato à presidência do Peru pelo partido Frente Democrática-Fredemo, mas foi derrotado. Sua experiência na campanha foi relatada no livro de memórias "Peixe na água", lançado em 1993.

O autor estará no Brasil na próxima quinta-feira (14), participando do evento Fronteiras do Pensamento, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.