terça-feira, 19 de maio de 2009

Deus, acho eu, decidiu não ser mãe!

 

                           Deus decidiu não ser mãe!

                                                                                    Magno Aquino.

                                                                                         

Ainda sobrevivendo sob o impacto, sob a sensação de abandono e perda, sem, no entanto, até este momento descobrir a frase certa, a expressão adequada - se é que existe uma - que conforte o coração de mamãe;  (Oséas, meu irmão, o cara que consertava as coisas ), abreviou seus dias entre nós, faz só quatro meses); nem tive tempo de dizer umas coisas que um filho caçula, único crente da ninhada, deveria estar pronto pra dizer numa situação dessas (desavisado crente sou) e, ao abrir o boletim da minha igreja em Belo Horizonte ( DEUS, abençoe a Joana Pinheiro!)  deparo com uma notícia, dessas que nem em cem anos estaremos prontos pra receber: Dª Álmen, minha mãe na fé, reserva viva do “Amor de crente” e que gasta seu precioso tempo a orar por mim, sofre abundantemente uma sincera e semelhante dor, (tudo nas mães é intenso) perdeu o Hélder. Já perdera o “Bon”.

Dª Álmen é crente fiel de uma vida toda, dessas que levou os filhos pra escola dominical; mamãe é estreante, ainda faz perguntas próprias dos neófitos, recebeu Jesus como Salvador e Senhor  em janeiro, dia 19.

Mamãe perdeu meu irmão numa guerra suja dessa droga de vida de drogas. Até hoje ninguém da igreja foi lá em casa orar com mamãe e ensinar uns trem da Bíblia pra ela. Moramos longe pra dedéu.

Mamãe e Dª Álmen choram seus filhos, quarentões, neste inadequado mundo; sócios da mesma sina.

O que fazer quando olhamos pra quem amamos, conhecemos-lhes o sofrimento e a única coisa decente que nos vem é olhar pro chão?

Semelhante e caótica dor, que mutila-nos a esperança de sermos, ainda aqui, absolutamente felizes.

Dª Álmen pode aprender com mamãe que nós, os filhos, desapontamos, fraquejamos e desistimos, quase sempre; sou prova disso.

Já mamãe pode aprender com Dª Álmen que nós, os filhos, ainda que raramente, somos quase bons.

Dª Álmen sempre me fala coisas boas, mesmo que às vezes endureça a voz e ensaie uma cara de brava; mamãe também sempre me fala coisas boas, mas a cara de brava é de verdade. E não é só a cara.

Ser pai é mais fácil, DEUS é pai; pai é “cerebral”, resolve tudo no grito, no ato; mãe é coração puro e pronto.

DEUS acho eu, decidiu não ser mãe; DEUS se fosse mãe, teria dificuldades terríveis pra expulsar Adão e Eva de casa. Até imagino: ah! Meus filhinhos longe de mim! (sei que não parece DEUS falando.)

 É claro que o amor de mãe não é maior, mais forte ou mais bonito que o amor de DEUS. Se as mães amam desmedidamente, despudoradamente transpiram esse tanto amor, foi de DEUS que é amor que herdaram.

Na verdade não encontrei no meu empanturrado baú de boas frases, uma sequer pra dar alívio ou reacender a esperança das minhas mães, confesso minha sequidão de estio.

Nem todas as lágrimas que derramar farão frente à composição de uma só vertida por elas, minhas mães.

Assim, me descubro incompetente pra um conforto dessa envergadura, é coisa do tamanho do amor de DEUS fazer isso.

Choro, silencioso e seco, choro, numa desdita falta de opções. Também sofro e quero colo; quero um ombro.

“ Quero o Salvador comigo, ao seu lado sempre andar; quero tê-lo muito perto, no seu braço descansar. “ Confiando no Senhor, e fruindo seu amor, seguirei o meu caminho, “sem tristeza”(!) e “sem temor”.  “ Quero o Salvador comigo, porque fraca é minha fé; sua voz me dá conforto, quando me vacila o pé.” – rev. Robert hawkey Moreton –

Breve, não sei quando, o coração de vocês duas cantará novamente, pois DEUS, não sendo mãe, deixou muito trabalho pras duas.

*(ex-interno do centro de recuperação de mendigos – Missão Vida)

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

 

                       D E U S  L H E  P A G U E. . .

                                                                               Magno Aquino

Olhe detidamente para um mendigo; observe-lhe os traços, as feições, procure pelos olhos, insista nos olhos, é importante olhar dentro das pessoas. Agora responda: o que viu?

Se disser que nada viu, então viu tudo, ou nada; pois nada há pra se ver naqueles olhos sem vida nem viço; falta-lhes aquela ansiosa expectativa, própria dos viventes, comum aos humanos.

Mesmo após minuciosa busca nada haverá que estimule ou encoraje uma aproximação, puxar uma conversa então, nem pensar.

Certa vez Thomas Kelly orou: “ Senhor, conceda-me ver as coisas da Terra, com os olhos do Céu.” Eu penso que seria interessante, e embaraçoso, se o Senhor permitisse a cada humano, por um momento, enxergar o mundo à sua volta com os olhos de um mendigo; muitos pés apressados saltando os seus, e o chão, a visão de um mendigo se resume a pés apressados que saltam os seus, e ao chão.

De igual modo ler-lhe os sentimentos, os pensamentos que povoam a mente desse estranho sujeito; veria a dor da alegria perdida, da vida que escapou por entre os dedos, num átimo; veria a saudade duma época em que as coisas eram diferentes, faziam sentido, uma época na qual acordar cedo, escovar os dentes, tomar café e ganhar um beijo de bom dia eram comuns, quase corriqueiras. (Um beijo de bom dia nunca se tornará corriqueiro!).

Aos olhos do “pedinte” ( Êita, nomezinho infeliz!) quase nada faz sentido, nem mesmo as ofensas, os insultos, e os chutes e os “NÃO”;

Ninguém ouve ou vê tantos nãos como aquele pobre diabo que transferiu para os “passantes” a responsabilidade pelo seu sustento e segurança. ( Ao falar em segurança me transporto para um tempo em que perambulava pelas ruas escuras de Belo Horizonte à caça de mendigos bêbados demais, fracos demais e velhos e doentes demais para esboçarem qualquer reação enquanto eu tirava-lhes a “féria” do dia, e seus pertences, cigarros, bebidas. Ladrão de mendigos; foi nisso que a falta de DEUS me transformou.)

Na mente do que pede só tem espaço para o rancor e as lembranças, que de tão distantes parecem delírio. Alguém é culpado; os passantes são culpados, o governo é culpado, a ex-mulher é culpada, “quase sempre” e DEUS, escapa por pouco. Se desentender com DEUS não é inteligente, na sua desgraçada sina, crê o “pedinte” ( nomezinho infeliz!), algo um dia vai mudar; quem sabe uma hora dessas DEUS, nem que seja por distração, passeie o chão com os olhos e o enxergue.

Essa é a (des)esperança do homem, e da mulher que perderam a gana,  a honradez, e desaprenderam a nobre arte de  amarem-se; o homem da roça que veio atrás de dias bons na grande cidade, acreditou na TV e arrumou a mala, se hospedou numa pensãozinha à beira da rodoviária, e saiu religiosamente todas as manhãs à procura de “colocação” e deu com os burros n’água, ouviu tantos nãos que se acostumou com eles.

E o dinheiro da diária, minguado, acabou como se acabaram as roupas limpas e a chance de procurar a tal vaga. Dia ruim.

Dá voltas em volta da rodoviária, descobre companheiros de igual e triste sorte, aceita um gole, pra aquecer o peito, e aceita outro, e mais outro até se alegrar e que se dane a pensão, e a vaga!

Acorda atormentado, sem mala nem bobo, descobre-se miserável e derrotado; resta voltar pra casa, mas como? Saiu pra vencer, perdeu, saiu pra melhorar de vida, e nem teto tem mais. Voltar como?

Envergonhado olha pra baixo e estica a mão e ao sentir o peso da moeda, sussurra triste e grato: “ DEUS lhe pague...”

Da próxima vez que saltar os pés de um mendigo, resista à tentação de acreditar que ele nasceu ali, como as ervas daninhas nascem; ali.

( ex-interno do centro de recuperação de mendigos – Missão Vida)

 

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domingo, 12 de abril de 2009

As coisas mudam.

AS COISAS MUDAM
Vi um cárcere romano, uma placa que acompanha as fotos nos afirma que é o mesmo local onde foi preso o apóstolo Pedro e onde em outra ocasião o não menos apóstolo Paulo teve o desprazer de ser encerrado. Desconcertante.
Conheci cadeias e conheci algumas das piores que possam imaginar, experimentei situações que citá-las não me atrevo, pois não serei eu a perturbar os irmãos com histórias que já não são e, querer auferir simpatia ou solidariedade contando sobre as surras e maus-tratos da prisão é dolo, má-fé.
Apoiar-me e usar artifícios que condeno é a forma mais eficiente de cair em descrédito e voltar aos velhos hábitos do velho homem de reprovável proceder. Quando ouço o testemunho de um ex- um monte de coisas detalhando os terrores da corró, do quartinho, da peia de manta, da manicure e toda sorte de gentilezas que a “nova criatura” enfrentou me lembro de onde fui resgatado e prá onde fui transportado. Cl 1: 13, 14.
Conheço Onésimos por todo este país e fora dele com histórias as mais variadas; certamente há algumas que de tão brandas fazem-me parecer um sobrevivente do Holocausto enquanto outras há que me tornam um sério candidato a personagem do livro “As mais belas histórias”; este eu li quando criança, presente de mamãe.
Todos os Onésimos que conheço se esforçam no prazer sem igual de conhecer o Senhor e torná-Lo conhecido de muitos.
Tais homens se alegram; eu me alegro, ao ver a mão levantada no meio da multidão, o passo inseguro em direção ao Senhor que convida em tom de desafio, o ajoelhar desajeitado, as mãos pra cima, entregues; mais um perdido que se rende ao amor de Cristo Jesus.
O capítulo 16 de Atos, a partir do versículo 23 registra: “ E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco.”
Os açoites foram ilegais, sendo Paulo e Silas cidadãos romanos (v. 37 ), e os pés presos no tronco também, era um tratamento dispensado a malfeitores; seria justo se Paulo e Silas gritassem por seus direitos civis, um abuso. ( pensava que era coisa do meu tempo )
Com pérfida riqueza de detalhes os pseudo-Onésimos distrairiam os crentes caçadores de aventuras por horas. Ainda bem que Paulo e Silas eram homens ocupados e envolvidos demais com o Evangelho para gastar precioso tempo entretendo desocupados com histórias de cadeia.
Mas o capítulo 16 de Atos continua a história: “ Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam.” Conheci cadeias, conheci algumas das piores que possam imaginar, mas em nenhuma delas vi dois presos depois de açoitados, cantarem.
Isso me faz lembrar o apóstolo Pedro escrevendo: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.” I Pedro 4: 15,16.
Assim eu entendo a atitude de Paulo e Silas, louvar a Deus por serem dignos de sofrer por serem cristãos; é mais, é muito mais do que se pode pedir ou pensar; quando o coração se aquece, indagamos: somos dignos da afronta pelo honroso nome de crentes?
O capítulo 16 de Atos conclui: “ De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos.” Ao ouvirem a pergunta do carcereiro, Paulo e Silas não evangelizam aquele homem assustado, não era necessário, Deus se fez conhecer, Deus pregou naquela noite, Paulo e Silas só cuidaram da liturgia e fizeram o apelo.
Naquela prisão Deus estava presente, pois os homens que lá foram lançados sofreram por serem cristãos e não por serem ladrões, assassinos ou malfeitores. Paulo e Silas seguiram viagem após serem libertados, e continuaram a fazer a mesma coisa que os levou à prisão, pregar e viver o evangelho, sem mencionar os açoites e o tronco.
Insisto na questão do testemunho de crentes resgatados no submundo, me lembro de um poema de Sarah P. Kalley que lamenta gastarmos tanto tempo falando somente do pecado, do inferno e de satanás; Paulo declara que o Reino de Deus é... “ Justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Rm 14: 17b.
Também já acreditei que relatando todos os horrores vividos no submundo faria as pessoas se desapontarem com o pecado e correrem para Deus; não funciona assim, é Deus, na pessoa do Espírito Santo quem convence e vence a distância, as barreiras, e se aloja amorosamente no coração daqueles que ouvem a Sua voz e aceitam o desafio de nunca mais sofrerem como malfeitores; como crentes, se preciso. Com Jesus, as coisas mudam... Salmos 113: 7,8.
( ex-interno do centro de recuperação de mendigos – Missão Vida ) www.mvida.org.br conheça-nos. www.sola-scriptura.com

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A JIRAD DO IBOPE GOSPEL
Hoje tem espetáculo? Tem sim senhor! E o pastor, o que é?
Não poucas vezes vem travestindo-se de bufão, afeito a truanices que façam felizes seu séquito de semicrentes. Na ânsia que faz uma péssima rima com ganância, de terem seus templos empanturrados de gente e seus gazofilácios com o dinheiro destes, aqueles não medem esforços para agradar ao seu saltitante ajuntamento de bodes; salve, salve Charles H. Spurgeon!
Mega templos, mega eventos, mega shows, mega faturamento, vivemos a era dos megas, tudo apoteótico, quase apocalíptico, super pastores e um mundaréu de gospel-star com direito a carro blindado e seguranças; e multidões, uma multidão de multidões, púlpitos uivantes, eis a fórmula. Na corrida maluca prá engrossar o rol e engordar o saldo, encontra-se de tudo. Patéticas cenas de bajulação para os de ofertas gordas e frases humilhantes para os desavisados de dois asses.
Areia do Neguebe, água do Jordão, sal do Mar Morto, miniatura do bordão de Moisés( um mimo!) chave do céu, a rosa ungida e até uma cruzinha plástica com um líquido vermelho dentro, irch! Já pensou nossos queridos Lutero, Calvino ou Wesley assistindo a um desmando de tal envergadura? Surtariam, sem dúvida.
A nova geração de vendilhões mega- pós-gospel faria o Senhor Jesus gastar muito tempo confeccionando azorragues. Eles usam, eles abusam; banho de descarrego em igreja de crente, é de doer! Corredor dos milagres, campanha dos inconformados( com o salário), culto de descapetização( esse eu aprendi com o pr. Dartagnan - Uberlândia), bugigangas “milagreiras” e todo tipo de trapaça; cópias mal feitas das artimanhas da macumba e dos sofismas romanistas.
Tais templos tornam-se suntuosos hiper-mercados da fé, as gôndolas apinhadas com toda sorte de bênçãos. Compra-se de tudo, até marido e status: “ Daqui mulher não sai solteira e homem não sai pobre!” Ouvi esta jóia numa emissora do centro-oeste onde um mascate da fé reclama para si o mesmo título de Pedro, Tiago, João, Bartolomeu e outros santos do Senhor que O acompanharam desde o batismo de João até ao dia no qual foi elevado para o céu.
O grande circo está montado, milagres ensaiados, exorcismos suspeitos, em Belo Horizonte tem curso de curas e outros dons por correspondência, o crente-cliente também pode optar por um intensivo de línguas estranhas, ( o aluno grita “ glória” repetidamente, até baixar o celestial dialeto! ), ah! Atenção encha o seu templo em seis meses, satisfação garantida; dízimo a 8%, pra quebrar a concorrência.
Heavy-metal, street-dance, street-music, gelo seco e outras tragicômicas variações do mercado, é preciso inovar, aliás, agradar é a alma do negócio, o negócio do entretenimento gospel, um grande teatro, ingressos em forma de oferta, desopilam o fígado e sacode o stress; o culto absorveu o público do futebol.
Ah! Glossolalia, abundante, efervescente; falsa e frustrante; na maioria dos casos antibíblica. E muitos desapontados com Deus, revoltados com o evangelho, frustrados com a fé, adquirida a duras penas, e sacrifícios.
E não há quem devolva este discurso fajuto a estes velhacos. Não se levantam os homens de Deus, os homens de bem; não se levantam em nome da fidalguia e ética, como se fosse possível permanecer calado, vejam Pedro tratando com Simão, o mágico – Atos 8: 18 – 23, sem fidalguia nem bons modos; curto, grosso e bíblico.
Foi preciso ouvir da boca de um papista a mais contundente frase de reprovação a tais atos de embromação religiosa: “ Sacerdote não é artista, eucaristia não é show e igreja não é circo.” D. Serafim, Arcebispo emérito da capital mineira.
E os anjos, dirão o quê?
( ex-interno do centro de recuperação de mendigos – Missão vida )
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